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O sempre e o de vez em quando dezembro 18, 2007

Posted by wandre in Reflexões.
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Outro dia alguém pinçou uma de minhas afirmações para afirmar que eu não acredito em milagres. A afirmação que fiz foi que Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. De fato, representa muito do meu pensamento: a principal obra de Deus no humano é a conformação do humano à imagem de seu Filho Jesus, que Paulo, apóstolo, chama de “primogênito entre muitos irmãos”. Mais do que fazer coisas boas para o ser humano, Deus está comprometido em transformar o ser humano, ainda que isso custe deixar ou permitir que coisas ruins aconteçam a este ser humano em processo de transformação. Deus não atua no ramo de “conforto para os fiéis”. Deus atua no ramo de transformação do humano à imagem de Jesus Cristo.

Daí a extrapolar que eu não acredito em milagres é um pulinho. Confundir a ênfase da minha teologia – “Deus faz em nós, e não necessariamente por nós”, com “Deus nunca faz nada por nós”, é até compreensível.

Na verdade, o que pretendo dizer é melhor compreendido quando se dá atenção ao “não necessariamente”: Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. Sublinhe o “não necessariamente”. Isso significa que Deus pode fazer e pode não fazer, e que o fazer ou deixar de fazer é imponderável, afetado por muitas variáveis que extrapolam o nosso controle e nosso entendimento. O que acredito, portanto, é que Deus sempre deseja fazer algo em nós, mesmo quando não faz algo por nós. Deus está sempre agindo para nossa transformação, mesmo quando não atua em nossas circunstâncias.

Por esta razão, minha conclusão é óbvia e simples: não devemos pautar nosso relacionamento com Deus na expectativa de que Ele faça algo por nós, mas na certeza de que Ele deseja fazer algo em nós. Quando Ele faz algo por nós, amém, quando não faz, amém também. O que não podemos permitir é que a expectativa de que Ele faça algo por nós nos deixe cegos ou imobilizados para o que Ele quer fazer em nós.

A maioria dos cristãos baseia seu relacionamento com Deus na dimensão “por nós”: o Deus de milagres, o Deus de poder. Alguns poucos baseiam seu relacionamento com Deus no “em nós”: o Deus de amor que nos constrange a viver para Ele e não para nós mesmos, onde viver para Ele implica sempre morrer para si mesmo, tomar a cruz e meter o pé na estrada. O milagre é problema (ou solução) de Deus. A fidelidade é problema meu. Atuar em minhas circunstâncias é o imponderável do mistério de Deus. Atuar em mim é o essencial do propósito de Deus. Você escolhe a base de sua relação com Deus: aquilo que pode acontecer ou não – o milagre, ou aquilo que certamente acontece – a transformação.

Pr. Ed René Kivitz

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Comentários»

1. leonardo - dezembro 29, 2007

Ola pastor,
adorei o seu texto.

esses dias eu estava dormindo, acordei as 4 da manha com a seguinte oração em mente, que casa bem com o seu texto:

Pai,

Prostro-me diante de Ti nesta noite,
Rogo-lhe diante de Ti Senhor,

Que Tu se manifestes na vida de todos aqueles que tem Te buscado Pai,
Que faças Tu, toda a Boa Obra que somente Tua Grandeza e Tua Sabedoria
Podem realizar na vida de cada ser humano Pai,

Mesmo que esta Boa Obra venha acompanhada, aos olhos humanos, com um sentido de “dor existencial” Pai,
Mesmo que esta Boa Obra venha parecer aos olhos cegos dos demais, se tratar de um castigo divino,
Mas que traga ao coração de quem vive a Tua Boa Obra Pai, a certeza que em Tuas Mãos estão todas as coisas,
A certeza que em Ti somente valem e cabem a esperança, a perseverança, a fé e o amor de ser e existir como Teu filho, O Pai Misericordioso,
A certeza de estarem sendo tratadas por Ti, e de estar se consumando toda a Tua Promessa na vida delas Pai,

E se esta Tua Boa Obra venha trazer alegria,
Rogo-lhe que traga primeiro aquela doce alegria pelo simples da vida Pai,
Que traga aquela alegria do Primeiro Amor,
Que Teu filho receba com entusiasmo os primeiros raios de sol de uma linda manhã,
Que Tua filha sinta o molhar da chuva no rosto e o renovar na alma,
Que Teus filhos admirem o florescer de uma pequenina rosa,
Que o Senhor os permita perceber como já é tremenda toda a Tua Obra,
Que todos os que Te provarem, louvem a Ti com o mais profundo sentimento de amor,
Que todos os que beberem de Ti, possam saciar a maior de todas as sedes,
E que o Senhor permita-nos experimentar e praticar somente o que venha Ti engrandecer e Ti glorificar diante dos homens,

Amém.


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