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NO DIVÃ COM CAIO FÁBIO setembro 17, 2008

Posted by Carlos Barreto in Cartas.
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ODEIO MEU IRMÃO!!!

 Caro Caio Fábio,

Desculpe tratá-lo assim, mas certamente não sei o jeito certo de tratá-lo, se como pastor, Reverendo; enfim, sei que para o senhor também não faz muita diferença, eu acho.  

Tenho lido bastante os textos do seu site, e concordo com muita coisa do que o senhor tem dito, pregado.  

Há algum tempo tem acontecido algo comigo; e a partir desses acontecimentos tenho procurado uma vida mais espiritualizada, o que me tem levado a conhecer algumas doutrinas, igrejas; mas, básica, fundamental e indubitavelmente sou cristão. 

Acredito em Cristo Jesus, no seu amor pela humanidade.  

Tenho tido ultimamente muitas brigas com o meu irmão. Ele é mais novo que eu. Tem 20 anos, eu tenho 25 anos. Sou o irmão mais velho e nossos pais são separado. Moramos com nossa mãe.

 

Meu irmão sempre foi muito diferente de mim. Esportista, alegre, mais dado a amizades e gosta de sair  à noite. Eu sempre fui mais introvertido, mais quieto, calmo, mais “nerd”, como algumas pessoas falam.

 

Só que de uns tempos pra cá tenho tido discussões com meu irmão, exatamente pelo fato de ele ser muito irresponsável. Sai de casa a noite toda sexta e todo sábado (isso na semana geralmente não acontece); e só volta no outro dia, alcoolizado.

 

Quando  discutimos, falo pra ele do amor que temos por ele, da preocupação que temos com que algo de ruim aconteça com ele, orientamos quanto à questão das drogas e do álcool, mas, essas orientações, principalmente nos últimos tempos, parecem que têm sido inúteis.

 

No fim de semana é sempre a mesma coisa. Minha mãe fica preocupada e eu acabo ficando preocupado com minha mãe. Ai isso vai virando um circulo vicioso: ele chega, brigamos, passamos a  semana sem nos falarmos, e, no fim de semana, a mesma coisa.

 

Tenho a impressão de que ele se tornou uma outra pessoa; e pior: odeio essa “outra pessoa”. Não quero sentir esse tipo de sentimento, mas tá difícil. 

 

Diante desse problema, procurei uma  Igreja [sei que não é bonito afirmar que só procurei uma igreja para pedir ajuda a Deus] com interesse mesmo que Deus resolvesse meu problema. Mas foi isso mesmo. 

 

Orei, orei, jejuei, jejuei, e nada.

 

Enfim, diante de toda essa situação, ando até questionando se sou apenas mais um atrás de milagres ou se amo a Deus como deveria amar.

 

Sinto-me um lixo em relação a Deus; um interesseiro. E o pior: não consegui resolver esse problema com meu irmão.

 

De uns dias pra cá, resolvi não falar mais nada quando ele. Chega. Mas fico pensando: ele não tem um pai que lhe dê conselhos, ou mesmo uma repreensão; ou seja: talvez não seja essa a minha obrigação?

 

O fato é que já estou cansado, e o pior: tenho a sensação de que Deus me abandonou; que está magoado comigo.

 

Enfim, não sei muito o que fazer. Sinto-me paralisado, conformado com uma vida familiar infeliz. Isso é muito ruim, sabe?

 

Bom, desde já agradeço. Parabéns pelo site e pela sabedoria e sinceridade (este é um dos motivos pelo quais escrevo também).

 

Abraços, até mais.

 

____________________________________

 

 

Resposta:

 

 

Meu mano amado: Graça e Paz!

 

 

Pela sua introdução preocupada com a importância de títulos, vejo que você é uma pessoa que gosta de respeitar e ser respeitado, mas que, também, na ausência de um pai em casa, você vive com a necessidade de impor respeito, sobretudo, ao seu irmão.

 

Você sofre da Síndrome do Irmão Mais Velho:

 

Leia Lucas 15 na versão King James:

 

A parábola do filho perdido

 


E Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. O mais novo reivindicou do seu pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança a que tenho direito’. E consentindo, o pai repartiu sua propriedade entre eles.

 

Não se passou muito tempo, e o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, partindo para terras distantes; e lá esbanjou todos os seus bens, vivendo de forma irresponsável.

Coincidentemente, após haver gasto tudo o que possuía, abateu-se sobre toda aquela região uma grande fome, e ele começou a passar muita necessidade.

Por esse motivo foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o campo a fim de cuidar dos porcos. Ali, chegou a ter vontade de encher o estômago com as vagens de alfarrobeira com as quais os porcos eram alimentados, no entanto, ninguém lhe dava absolutamente nada.

Foi quando, caindo em si, falou consigo mesmo: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Levantar-me-ei, tomarei o caminho de volta para meu pai, e ao chegar lhe confessarei: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores’.

E, logo em seguida, levantou-se e saiu na direção do pai. Vinha caminhando ele ainda distante, quando seu pai o viu e, pleno de compaixão, correu ao encontro do seu filho, e muito o abraçou e beijou.

Então, o filho lhe declarou: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho!’.

Entretanto, o pai ordenou aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o com distinção, ponde-lhe o anel de autoridade e as sandálias de filho.

 
Também trazei o novilho gordo e o preparai. Comamos, façamos uma grande festa e regozijemo-nos! Porquanto este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado’.

 

E começaram a celebrar o seu regresso.


Entrementes, o filho mais velho estava no campo. Quando foi se aproximando da casa do pai, ouviu o som da música e das danças.

Então chamou um dos servos e indagou-lhe sobre o que estava acontecendo.

Este informou: ‘Teu irmão regressou, e teu pai mandou matar o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo!’.

Mas o filho mais velho encheu-se de ira, e negou-se a entrar. Então o pai saiu e insistiu com ele.

 

Porém ele replicou ao pai: ‘Há tantos anos tenho trabalhado como um escravo para ti sem nunca ter desobedecido a uma só ordem tua. Contudo, tu nunca me ofereceste nem ao menos um cabrito para que pudesse festejar com meus amigos. No entanto, chegando em casa esse teu filho, que pôs fora os teus bens com prostitutas, tu ordenaste matar o novilho gordo para ele!’.

 
Então, lhe arrazoou o pai: ‘Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que possuo é igualmente teu. Porém, nós tínhamos que celebrar muito à volta deste teu irmão e regozijar-mo-nos, porque ele estava morto e reviveu, estava sem esperança e foi salvo!’”.

 

Você também sofre da dor do irmão que vai ao culto com ira contra seu irmão, conforme Jesus disse em Mateus 5:

 

Ouvistes que foi dito aos antigos: “Não matarás; mas quem assassinar estará sujeito a juízo”.

 

Eu, porém, vos digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a juízo. Também qualquer que disser a seu irmão: Oco! — será levado ao tribunal. E qualquer que o chamar de ‘nada’ estará sujeito ao fogo do inferno.

 

Assim sendo, se trouxeres a tua oferta ao altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali mesmo diante do altar a tua oferta, e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão, e depois volta e apresenta a tua oferta.

 

Entra em acordo depressa com teu adversário, enquanto estás com ele a caminho do julgamento, para que não aconteça que o irmão-adversário te entregue ao Juiz, o Juiz te entregue ao Carcereiro, e te joguem na cadeia. Com toda a certeza afirmo que de maneira alguma sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.

 

Assim, meu irmão, creia:

 

Sua mágoa de seu irmão tem muitos elementos. Não é somente porque ele preocupa a sua mãe. Sobretudo é porque ele é livre, solto, saído, ele mesmo, e, por isto, popular; enquanto você é o “nerd”; e que se orgulha de ser nerd, mas, ao mesmo tempo, gostaria de “soltar a franga” por um pouco, embora, sua consciência e responsabilidade, não deixem que você assim faça, nem de férias; o que leva você ‘odiar’ o seu irmão que faz e acontece, enquanto você o odeia duplamente: por ser irresponsável, e, também, pelos bens da irresponsabilidade dele, que são todos feitos de meninas, amigos, bares, prazeres e “liberdades”.

 

Ora, seu irmão tem Pai, embora não tenha um pai. E mais: o Pai ama seu irmão, e cuida dele até “na terra distante”.

 

Assim, não queira também ser pai para o seu irmão. Se você conseguir ser irmão para ele, de verdade, já estará de bom tamanho.

 

Por que, ao invés de querer controlá-lo e admoestá-lo, você apenas não pergunta a ele como foi a noitada?

 

Assim, sendo amigo, não necessariamente concordando com tudo, porém sem discursos, você vai ganhando a confiança dele, ao ponto de que ele mesmo busque conselho com você, quando ele vier a precisar.

 

Ora, no dia em que você mesmo provar a Graça de Deus como vida e perdão, e, assim, receber o entendimento do amor de Deus, então, nesse dia, você entenderá que seu irmão não melhorou antes apenas porque você atrapalhou demais tentando ajudar.

 

Viva o Evangelho você. E, além disso, seja o melhor filho possível para a sua mãe. Mas não se esqueça: você tem que se converter ao seu irmão, pois, até que isto aconteça, você não conhecerá o amor de Deus em você.

 

Portanto, o problema é você, e não o seu irmão. Afinal, você só pode mudar a você mesmo, e a mais ninguém. Ora, por que então você não muda o que você pode mudar, você, ao invés de querer mudar a quem você não pode?

 

Pense no que lhe disse. Você verá que a solução é simples assim.

 

Leia a 1ª Epístola de João por inteiro.

 

Ao final você saberá o que fazer!

 

 

Receba meu beijo!

 

 

Nele, que ama ao seu irmão, tanto quanto ama a você e a mim,

 

 

Caio Fábio

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