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NO DIVÃ COM CAIO FÁBIO novembro 11, 2008

Posted by Carlos Barreto in Cartas, Outros, Reflexões, Vida.
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NAMORADO INDECISO: FICO COM ELE?

Olá Caio, 

Conheço um rapaz há quase dois anos. Logo que me conheceu ele se apaixonou por mim, e nesta época ele estava sozinho. Eu também não tinha namorado, mas na época gostava demais dele, mas não achava que era o suficiente para torná-lo meu namorado.  

Passados uns seis meses ele desistiu de me conquistar (apesar de nunca ter sido suficientemente claro ao demonstrar seus sentimentos) e começou a namorar com uma outra mulher. Contudo neste meio tempo, eu comecei a gostar dele mais e mais, até que um dia o chamei para sair, mas não sabia que ele já estava namorando.  

Isto já era em dezembro/2007.  

Antes de sairmos ele disse que estava namorando; e então eu disse que não haveria problema só sairíamos como bons amigos e de verdade, depois que ele disse que tinha namorada esta era minha intenção.  

Conversamos um pouco, ele me disse que nunca havia traído nenhuma de suas namoradas e realmente eu acredito, pela índole que ele havia demonstrado desde que o conheci. 

De qualquer forma, disse não haver problema; seríamos bons amigos. Fomos ao cinema, e no cinema, por mais que ele quisesse se conter, ele me deu um beijo.  

Foi muito bom, mas depois, tanto eu quanto ele ficamos tristes por havermos feito algo que mesmo com amor era errado pelos nossos princípios.  

Ele disse que gostava muito de mim e que nunca deixou de me amar. Conversei com ele, e argumentei que o melhor era ele deixar a namorada dele, para que nenhum de nós três saíssemos extremamente feridos de toda esta história.

 

Contudo, ele não conseguia terminar com ela. Ela gostava demais dele e não entendia o motivo pelo qual ele queria terminar; e ele não tinha coragem de dizer que gostava de outra pessoa.

 

Foram oito meses desta maneira… Saía de vez em quando com ele, tentava convencê-lo a falar a verdade, mas ele não conseguia.

 

Durante esse período, ele foi criando um sentimento de culpa terrível; desenvolveu pressão alta e passou mal por duas vezes.

 

Foi um total martírio. Acredito que para nós três.

 

Até que em agosto ele entrou em férias no trabalho e conseguiu convencê-la que o melhor era que eles se separassem.

 

No entanto, após ele terminar com ela, ele também quis se distanciar de mim e disse que se as coisas tivessem acontecido de uma outra forma [que traduzimos aqui por ideal], tudo teria dado certo.

 

Então, afastei-me dele por aproximadamente um mês e meio; e, então, ele me procurou dizendo para eu não o desprezar, que tudo que ele via, me lembrava; e que sentia uma saudade enorme.

 

Como eu gosto muito dele, não consegui dizer não, mas o fato agora é que ele diz que sente algo diferente por mim, mas que acha que não consegue ser feliz, que não acredita mais no amor, na construção de uma família; e tudo mais aquilo que ele sonhava em realizar.

 

Não me deixa ir embora, mas não consegue viver longe de mim.

 

E então eu fico dividida; às vezes eu acho que deveria deixá-lo ir embora da minha vida, para que ambos pudéssemos ser felizes; mas meu sentimento por ele é tão grande que não consigo abandoná-lo.

 

Sinto que ele está com sintomas de depressão, mas ele se fechou de uma tal maneira, que não sei como ajudá-lo.

 

Já vamos completar um ano nesta angústia e eu não sei mais como agir.

 

Para mim…, ele desenvolveu um sentimento de auto-flagelação por ter traído uma pessoa por quem ele tinha respeito; e então se pune agora; achando que não merece ser feliz; entende?

 

Não sei o que fazer, de verdade, por mim e por ele. Por este motivo, busco o seu auxílio para que possa me dar uma luz de qual caminho seguir, se devo renegar o meu sentimento e deixá-lo livre… Por mais doído que seja; ou gastar minhas energias tentando reanimá-lo, com o risco de também tornar-me depressiva pelo fracasso de não ter conseguido fazê-lo suficientemente feliz para sair desta condição.

 

Obrigada.

 

Aguardo sua resposta.

 

______________________________

 

Resposta:

 

 

Minha filha querida: Graça e Paz!

 

 

 

Namoro não é missão, nem clinica de reabilitação, nem academia; nem psicanálise, nem aconselhamento, nem maternidade, nem confraria, nem favor, nem ajuda solidária, nem nada disso — embora, caso haja amor no namoro, haja missão, sem que se sinta; reabilitação, sem que se perceba; exercício, sem que seja um projeto; cuidados, sem maternidade; amizade, sem confraria de doentes carentes um do outro.

 

Também nunca é namoro apenas porque os dois vivem em paz, sem brigas — tem de haver amor recíproco, com todas as implicações do que seja amor entre homem e mulher.

 

Creio que um cara bom como ele, mas que vive indeciso, não é boa companhia para mulher alguma. Sim! Pois, por ser gente boa, faz a decisão de desligamento ficar muito mais difícil.

 

Não creio que a reação dele hoje seja em razão da situação anterior, mas sim em razão dele mesmo ainda ser irresoluto em relação ao amor.

 

Ora, foi assim com a outra, e, agora, é assim com você; e, depois, será assim com outra…

 

A dor dele é esta. Ele quer amar, mas ainda não amou. E como vê as meninas amando-o, ele fica angustiado e sufocado, mas apenas porque, sendo honesto, não vê em si mesmo o mesmo peso de equivalência de sentimento.

 

Ele não tem que estar gostando de ninguém — como aconteceu com você no caso da outra mulher — a fim de ficar como ele está agora; pois, de fato, a luta dele é com ele mesmo.

 

Se ele me escrevesse… faria a ele perguntas que somente ele mesmo poderia me responder. Mas, creia: isto seria apenas porque desejo ajudá-lo na caminhada dele mesmo; não, porém, a fim de alimentar nenhuma esperança em você.

 

De minha parte sempre acho que se a vida, que já é difícil por si mesma, for ainda complicada por nós, ninguém a suportará.

 

Este é o espírito de I Corintios sete.

 

Ali, em síntese, Paulo diz:

 

“Faça todo o possível para não acrescentar pesos à vida, especialmente os pesos afetivos originados pelas complicações dos casamentos que são angustia.”

 

Sinceramente acho que você deve deixá-lo seguir a viagem… Você não pode linkar a sua vida ao estado de irresolução dele.

 

Siga você o seu caminho no Caminho. Ande com Jesus em bom senso. Não contrate pesos para a jornada.

 

Escolher um ente-peso-pesado para o caminho não é sábio.

 

Quando a gente já tem alguém, e a vida pesa sobre a pessoa, é outra coisa, não importando o peso. E isto caso não seja uma escolha voluntária do outro carregar desnecessariamente aquilo que faz mal a quem está ao lado.

 

Se, porém, ainda se está “no treino” da relação, o namoro, e as coisas se mostram complicadas, saiba: só tenderão a piorar muito mais com o tempo.

 

Portanto, poupe-se de angustias que você ainda possa evitar, pois, a existência não as evitará em nossas vidas.

 

Como diz a carta aos Hebreus, deve-se deixar o pecado que tenazmente nos assedia; e, além disso, deve-se também deixar fora de nossas vidas todo o peso desnecessário.

 

Receba meu carinho e minhas orações pela sua escolha em sensatez.

 

 

 

Nele, que nos ensina a não escolhermos a dor desnecessária, mas apenas aquelas que tenhamos que escolher por necessidade da consciência,

 

 

Caio

10 de novembro de 2008

Lago Norte

Brasília

DF

 

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