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NO DIVÃ COM CAIO FÁBIO novembro 19, 2008

Posted by Carlos Barreto in Artigos, Cartas, Geral, Reflexões, Vida.
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CASA DE AREIA

Graça e Paz! Pastor Caio! 

Estou sempre lendo as cartas. A minha história (ou dilema) é praticamente “quase” o mesmo de várias outras que estão cometendo adultério…  

Hoje estou separada há 4 anos e tenho 2 filhos já adultos e 1 adolescente (tenho 41). Já faz algum tempo que tenho uma pessoa. Ele é “casado” [deve estar pensando: “De novo a mesma história”]. Penso ser pior.  

Sabemos que um relacionamento sem amor e respeito é extremamente “desgastante”; porém, estamos sentindo a mão de Deus em nossas cabeças. Ele há poucos meses atrás terminou comigo, pois estava sendo por demais perturbado por Deus.  

Nossa história começou “também” na Net. Uso o MSN comercialmente, porque o grupo em que trabalho tem vários escritórios pelo Brasil e mantemos contatos assim… Mas voltando: ele me adicionou quando ainda estava fora do Brasil trabalhando, eu havia separado do meu marido por minha vontade própria, (lembrando que ainda eu não o conhecia) sem ter nenhum outro motivo a não ser um casamento que havia chegado ao fim; eu não era feliz e não o fazia feliz; “o meu casamento” já estava totalmente desgastado e eu vivia em tormentas e assim coloquei um fim. Consequentemente estava carente de apoio, de amigos, de palavras positivas que pudessem abrir meus olhos e ver que a vida é maravilhosa e cheia da graça de Deus. Vim do interior  e não tinha amigas, pois meu ex não permitia, era extremamente ciumento e possessivo. Foi nessas condições em que eu me encontrava, que ele surgiu usando um nome que não era dele. Quando pediu para ser adicionado até questionei que o MSN era comercial e não pessoal. Ele insistiu em ser um amigo, pois precisava de alguém para conversar, usando as palavras certas. Até mesmo por causa da minha solidão, não o exclui; e por muitos meses ajudou muito, pois, ele foi um grande amigo.

 

Ficamos nos comunicando por 1 ano pela Net. Em momento algum ele não omitiu ser casado. Fomos nos envolvendo em nossas carências. Depois de 1 ano ele retornou ao Brasil e me procurou. Saímos e conversamos (continuei ainda sem saber quem ele era na verdade). Ficou por 1 mês aqui e voltou por mais 1 ano. Quando faltavam poucos dias pra ele retornar novamente ao Brasil, conheci outra pessoa, não estava namorando porque teria primeiramente que resolver a questão com o primeiro. Já estava sofrendo com o pesar de Deus. O amava com todas as forças do meu ser.

 

Quando ele voltou conversamos e disse que não mais queria aquela situação, que já havia conhecido outra pessoa e aquela nossa conversa seria para colocar um fim.

 

Sofri muito neste dia, pois foi naquela hora que tive a plena convicção do amor dele por mim. Foi quando ele revelou sua verdadeira identidade, arriscando a perder tudo e todos, como o senhor mesmo sabe como é. Ele é nada mais e nada menos que pastor missionário e muito conhecido internacionalmente.

 

Assim como eu não sabia nada dele, ele só sabia e confiava no que eu dizia sobre minha vida. Mas eu com uma diferença: abri minha vida verdadeiramente. Ele poderia estar arriscando tudo na revelação a uma pessoa que poderia destruí-lo completamente.

 

Voltando ao “estamos ambos sofrendo e sentindo a mão de Deus em nossas vidas, ele há poucos meses atrás terminou comigo, pois estava sendo por demais perturbado por Deus”.

 

Respeitei a decisão dele e nos afastamos completamente. Sofrendo e mais uma vez fraca, até mesmo na fé, pois se estivesse firme em Cristo Jesus não cairia na tentação. Mas ele me procurou e aceitei as condições para reatarmos.

 

Eu nunca pedi mais do que ele poderia me oferecer: alguns momentos de amor e cumplicidade. Mas se negar que no fundo quero muito mais que isso, estaria sendo hipócrita. No entanto, jamais aceitaria ser o elo de uma separação. Em minha concepção de vida qualquer separação deve ser por um casamento infeliz de ambas as partes. Aceitei a decisão de reatarmos. Sonhamos sim em termos uma vida nossa, uma vida limpa… Mesmo porque ele não é homem para deixar a família sem uma segurança de sobrevivência. Ele não tem outra condição de vida (estabilidade) ou mesmo outra profissão. Ele tem feito alguns negócios para montar uma empresa, tem comprado terrenos para a família, tem se preparado.

 

Ao contar o que esta fazendo em relação a negócios, fico sempre calada sem dar qualquer palpite.

 

Pastor Caio, acho até que já sei sua resposta mas mesmo assim preciso ouvir o senhor.

 

Nele, que nos ama com amor,

________________________________________

 

Resposta:

 

 

Minha querida amiga: Graça e Paz!

 

 

 

Creio que sua carência é enorme e que somente por essa razão você está aceitando o que aceita para você mesma.

 

Não faz sentido uma mulher terminar o casamento por infelicidade e aceitar um amasiamento em troca de alguns momentos de prazer e muita conversa na Net. Quem conheceu infelicidade não pode nem mesmo se imaginar numa situação infeliz como essa por escolha e deliberação.

 

Sim! Mais difícil ainda de crer é que você ame com todas as forças de seu ser uma pessoa que você só conhece teclando ou transando — e olhe lá!

 

Ele, por seu turno, está diante de duas situações possíveis.

 

A primeira é que ele seja e sinta exatamente como declara. Nesse caso, ele seria apenas um missionário internacional infeliz, que passa muito tempo sozinho em viagens, e, em razão disso, tecla; e, ao teclar, pode facilmente encontrar alguém como você está. Também neste caso ele teria que estar mais desesperado que você, pois, estaria disposto a deixar a família e o ministério, por uma mulher com quem ele teve apenas muito sexo virtual, conversas de amor eletrônico, e muita cumplicidade sem cheiro e sem vida real. Ou seja: ele teria que estar desejoso de suicidar-se, e julgou que o melhor meio seria esse de vocês.

 

A segunda alternativa é a mais comum entre evangelistas itinerantes e missionários internacionais: o individuo tem uma mulher em casa para ser esposa para consumo religioso, e, em vários lugares diferentes tem casos sexuais, os quais são hoje em dia alimentados via Internet. Ora, pode ser que ele não seja promiscuo como muitos são em tais circunstancias. O mais provável é que ele seja apenas um homem mal casado e que se sente bem em ter uma amante virtual, tendo com ela alguns encontros muito eventuais. E, além disso, pode ser que ele esteja mesmo preocupado em ter meios de sair do casamento infeliz, buscando fazer negócios a fim de não ficar nas mãos da igreja quando decidir separar-se. No entanto, eu mesmo creio que ele é um hibrido de tudo isso. Ou seja: está fazendo negócios porque deseja fazê-los, e não para separar-se da esposa; mas diz isso a você em razão de saber que é importante e apaziguador para você saber que ele está se esforçando para ficar nas condições ideais para realizar o “sonho” de vocês. Entretanto, creio que ele não sabe o que é amor; pois, se soubesse, saberia que só se ama alguém com certezas conjugais, depois que se tem vida e cumplicidade com a pessoa no dia a dia. Por isso eu creio que existe manipulação da parte dele em algumas coisas. O que ele faz nesse ano que fica longe de você?  

 

Assim, creio que você está entrando em algo que é fruto de paixão pela paixão, mas que está longe de ter qualquer coisa a ver com amor.

 

E mais: também creio que ele gosta de ter você, mas isto nada tem a ver com amar você.

 

Por que vocês não aproveitam que estão incomodados com a situação e terminam com isto de uma vez?

 

Entendo o que acontece no processo de tal auto-engano, mas, pela mesma razão, sei que se trata de algo que não é amor; porém, na melhor das hipóteses, apenas carência; e, na pior delas, da parte dele, teria a ver com sedução, manipulação, conquista e poder — e tudo isto pode acontecer com romance e poesia, porém, sem ser verdade em nada.

 

E não adianta dizer que não deseja ser a “catalizadora” do término do casamento dele, pois, quem sonha ter uma vida com um homem casado, sonha com o término de todos os impedimentos também.

 

Certamente “a mulher do padre” tem mais tempo e intimidade a fim de saber se ama ou não o sacerdote, do que uma mulher evangélica que tem uma relação virtual e às vezes presencial “com nada mais nada menos do que um missionário internacional”, conforme você o descreveu.

 

Além disso, como tenho insistentemente dito aqui nas cartas, ninguém é feliz construindo a casa sobre esse tipo de fundamento. Sim! Pois não está na rocha, mas é casa na areia.

 

Você sabe por que as pessoas ficam em situações como essa? Ora, pode-se entrar por todas as razões do engano e do auto-engano, mas a razão para se ficar em geral é fruto da incredulidade e da falta de confiança no melhor de Deus para nós, que pode até aparecer como um homem, porém, se não for assim, ainda assim será melhor do que o que você tem hoje; pois, o que você tem como sonho hoje será algo construído sobre o fundamento dos piores sentimentos e motivações.  

 

Você pode confiar e descansar em Deus quanto ao fato de que sua vida não tem que ser movida pelos suspiros dos desejos de que alguém deixe de existir como impedimentos aos seus desejos?

 

Você pode confiar que felicidade é graça divina [e não necessariamente pela presença de um homem] e que o melhor de Deus para nós só acontece sobre o chão da verdade?

 

Que felicidade você crê que essa história de amor poderá oferecer a você?

 

Num surto de loucura um dia eu apostei contra a verdade e julguei que eu poderia ser feliz construindo sobre a areia. Porém, embora no surto, logo fui vendo que sobre tais bases nada que seja vida encontra ambiente de salubridade para ser em verdade se o chão é areia de engano, auto-engano, mentira, dor e amargura.

 

Você me escreveu porque me lê, e até disse que imaginava o que eu fosse dizer. Não sei se imaginou certo, mas o que tenho a lhe dizer com a mais simples sinceridade é o que aqui já disse a você.

 

Espero que a Luz venha sobre seu espírito!

 

 

Nele, em Quem nada podemos contra a verdade, senão em favor dela,

 

 

Caio

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